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  • Morena Poeta

O TEMPO É SEU E A VIDA TAMBÉM

Atualizado: Set 5

Se teve algo que a amamentação me provou é que eu sou bicho. E que antes de todas as máscaras sociais e personas desenvolvidas para responder a cada situação da vida contemporânea, sou bicho. Que o bom mesmo, é ser bicho. Alimentar meu filhote feito bicho. Não permitir que nenhuma regra humana e social me impeça de ser bicho. Respeitar ser bicho. Olhar para o meu bicho. Lutar pelo meu bicho. Não deixar mais silenciarem o meu bicho. Fez toda a diferença no meu empoderamento enquanto mulher na sociedade através da gestação e da maternagem diária.



Para o nosso lado bicho A Vida é a Única coisa que importa. Que tem real valor. E quando a tua cria se alimenta de ti a olho nu, o tempo pára. Nada mais importa. A gestação continua – agora fora do corpo. O cordão umbilical agora está na linha do coração. E jorra. E nutre mais que tudo. É só o que sua cria precisa. Poderia ter somente o seu néctar por dois anos e estaria nutrido. E sua cria, que antes era você, e agora vocês se dividem como um órgão capaz de se locomover fora do seu corpo, e por que não o seu próprio coração, a parte mais sensível da sua natureza a chorar por aí, de repente a passar pela mão de outras pessoas, expressar necessidades próprias, e naquela ânsia de não saber quem é você sem aquele ser que te pertencia, e ele também não se identificar com a falta daquele espaço que lhe acolhia: é o peito, o colo,o coração e o leite que reestabelecem aquele fio, aquele cordão, aquele elo de amor, proteção e nutrição.


E mesmo fora da nossa casa-ventre, nossos bichos - o nosso e o da nossa cria - se reconhecem dentro desta mesma natureza humana misteriosa, complexa e acima de tudo selvagem. Dentro. Dentro desta realidade, deste planeta, desta outra casa. Sempre dentro. E a natureza é tão perfeita que a felicidade de uma mãe é muito simples: se reduz a parar o tempo para aconchegar no peito a sua cria e saciar a sua fome.


Que possamos confiar na nossa natureza nesses tempos de pandemia, nesta mãe generosa e primitivamente pronta para perpetuar a VIDA: ela nos pega no colo, nos coloca no peito, olha com amor e contemplação para essa folha em branco que somos, como recém nascidos que estamos, vulneráveis, amedrontados, inseguros e famintos. Que a mãe relembre-nos, constantemente, de nos nutrirmos apenas daquilo que necessitamos.

Realmente.

#agostodourado


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